angle-left “Saúde do Cérebro” encerra um ano de intervenção com resultados positivos na prevenção do declínio cognitivo

O programa municipal “Saúde do Cérebro” concluiu um ano de intervenção comunitária com tendências positivas ao nível da melhoria das capacidades cognitivas, do bem-estar emocional dos participantes e da prevenção do declínio cognitivo. Os resultados preliminares do impacto desta ação foram apresentados ontem, na Casa Ozanam, integrados numa estratégia municipal mais ampla de promoção da saúde.

Ao longo de 12 meses, o programa envolveu 183 participantes, organizados em 19 grupos, com uma idade média de 71 anos. No total, foram realizadas 173 sessões psicoeducativas e 191 sessões de treino cognitivo, num modelo que combinou encontros presenciais com exercícios desenvolvidos autonomamente em contexto domiciliário.

A avaliação final, numa amostra de 16 participantes, permite identificar tendências favoráveis ao nível do desempenho cognitivo, acompanhada por uma redução dos sintomas de ansiedade e depressão. Foram ainda identificados benefícios físicos associados à adoção de estilos de vida mais saudáveis.

Em contrapartida, as queixas de memória aumentaram, o que pode refletir maior consciência das dificuldades cognitivas trabalhadas nas sessões presenciais. Apesar de positivos, estes resultados devem ser interpretados com cautela, devido ao número reduzido de participantes que completaram a avaliação final.

Para o Vítor Tedim Cruz, médico neurologista, do Hospital Pedro Hispano, o principal valor da intervenção reside na sua dimensão prática e comunitária. O especialista sublinha que a informação, por si só, raramente é suficiente para alterar comportamentos, defendendo que intervenções estruturadas, realizadas em grupo e prolongadas no tempo apresentam maior eficácia na consolidação de hábitos saudáveis.

A importância do programa é igualmente confirmada pelos próprios participantes. Margarida Faria, do Grupo 6 de Santa Maria da Feira, refere que a experiência lhe permitiu compreender que pequenos esquecimentos fazem parte do processo natural de envelhecimento, destacando a utilidade das estratégias adquiridas e o papel do exercício físico e da dinâmica de grupo como fatores de motivação para uma vida mais ativa.

Neste encontro final atuou ainda o coro Olarilolé, da Casa dos Choupos, formado por participantes da oficina de cantares tradicionais e também por participantes da “Saúde do Cérebro”.

O encerramento do programa ficou ainda marcado pela apresentação criativa das experiências vividas pelos diferentes grupos, que recorreram a vídeos, música, teatro, poemas e dança para partilhar “A minha experiência na Saúde do Cérebro”, valorizando o percurso coletivo e o envolvimento comunitário nas freguesias.

“Saúde do Cérebro” resulta de uma opção estratégica do município em investir na promoção da saúde mental, numa fase em que as autarquias assumem novas competências nesta área. A iniciativa assenta na articulação com equipas técnicas especializadas, na supervisão científica e no envolvimento de diversas entidades locais, assegurando respostas de proximidade e maior equidade no território.

Durante toda a tarde esteve em exposição o projeto digital desenvolvido por todos os participantes, “Memórias que se Unem”. 121 fotografias acompanhadas de testemunhos pessoais, num exercício de evocação de memórias com impacto emocional e terapêutico.

“Saúde do Cérebro” integra o projeto Saúde Mental e Sucesso, promovido pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, em parceria com a NeuroInova, entidade responsável pelo acompanhamento técnico e científico da intervenção e das plataformas Cogweb e Brain on Track. Financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência da União Europeia, no âmbito do TEAR | Tempo de Envolvimento e Ação em Rede.

 

Publicado a 16 de dezembro de 2025