Quatro décadas de curas termais!


Dorinda Henriques é a termalista mais antiga no ativo e com mais anos de frequência contínua nas Termas de S. Jorge. Aos 79 anos, preserva uma beleza singular por dentro e por fora, sem filtros e sem cosmética, de sorriso fácil e abraço cúmplice.

Há mais de quatro décadas que cuida do corpo e da mente no balneário termal, tirando o melhor partido das águas minerais naturais, captadas a 90 metros de profundidade. Uma rotina anual que tem cumprido sem interrupções, exceto nos tempos da pandemia, porque a isso foi obrigada.

A D. Dorinda é também uma mulher prática e determinada. Não fica à espera que façam por ela, sobretudo quando está em causa a sua saúde e o seu bem-estar. “A velhice trata-se a partir da juventude”, assegura com a legitimidade de quem sabe bem do que fala.

Tinha 37 anos quando se apresentou na fachada antiga das Termas de S. Jorge de canadianas e chinelos, tal era a dificuldade em andar. Vinha decidida a pôr fim às artroses que lhe consumiam os joelhos e os pés, herança da mãe que se recusava a aceitar.

Já tinha tentado sanar as maleitas com a ajuda de dois ortopedistas, mas acabou por eleger o balneário termal de S. Jorge como o refúgio certo para um tratamento continuado e revigorante, com resultados notórios. “Como não acredito em bruxas, vou para as termas!”, disse na altura sem hesitações.

As águas sulfúreas que brotam na vila termal, indicadas para patologias músculo-esqueléticas, respiratórias e de pele, não são milagrosas, mas fazem milagres quando prescritas no tempo certo, com curas adequadas.

A poucos dias da abertura da nova época termal, desafiámos a D. Dorinda a percorrer salas, corredores e escadarias das Termas de S. Jorge, que tão bem conhece, altura em que foi surpreendida com a sua primeira ficha clínica, datada de 1984, autêntica relíquia que a fez sorrir de nostalgia.

“Iniciativa própria”, assim está registado o modo como foi “enviada” para as Termas. “Foi exatamente assim, por iniciativa própria! Se me encostasse à parede e ficasse à espera, seguramente hoje não conseguiria caminhar”, reforça em jeito de alerta.

As Termas de S. Jorge são uma “segunda casa” para Dorinda Henriques, natural e residente em Escapães. Ali construiu amizades sólidas e duradouras com “profissionais competentes de coração enorme, que tratam os termalistas como família”. Razões de sobra para recomendar esta “casa especial” a tantos amigos e conhecidos, assumindo-se como uma espécie de embaixadora com conhecimento de causa.

No meio de tantas histórias que ali viveu, preserva na memória gestos simples de amizade que gosta de partilhar. Recorda-se bem do dia em que a D. Lurdes Valinho, das Caldas de S. Jorge, lhe ofereceu uma “oração a Nossa Senhora”, manuscrita num pedacinho de papel, que ainda hoje guarda religiosamente na sua carteira. “De vez em quando leio-a e lembro-me com carinho dessa senhora.”

Os anos passaram e o ritmo de vida desacelerou. Hoje a D. Dorinda tem o privilégio de fazer apenas o que lhe “apetece” – termas, croché, sopa de letras, caminhadas quando o tempo ajuda – mas não esquece as décadas sucessivas de azáfama e correrias para conciliar as rotinas familiares com a profissão de professora primária, primeiro no Vale, depois em Sanfins, sem nunca abdicar das curas termais em S. Jorge. “Eram tão bons aqueles momentos para desanuviar depois de um dia de aulas, sentia-me rejuvenescida!”

Aos que continuam à espera do momento ideal para tratar do corpo e da mente, deixa uma recomendação:

“Não basta que se queixem, é preciso que façam, que se cuidem agora.”

Palavras sábias as da D. Dorinda!

 

. Informações sobre os programas termais: 256 375 460.