Edifício

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O Museu do Papel integra no seu espaço, duas antigas fábricas de papel, do início do século XIX: Antiga Fábrica de Papel de Custódio Pais e antiga Fábrica de Papel dos Azevedos.

Fábrica de Custódio Pais. 1995

Conhecida na região como Fábrica de Custódio Pais, a sua história iniciou-se em 26 de Outubro de 1822, data da escritura de sociedade que deu origem a um pequeno engenho de papel.

Não foi a primeira nem a única sociedade papeleira das Terras de Santa Maria, nos séculos XVIII e XIX, mas foi a única que teve uma mulher como sócia fundadora. Chamava-se Lourença Pinto e era natural de Paços de Brandão.
Num contexto rural de início do século passado, Lourença Pinto, apesar de analfabeta, não temeu entrar no mundo da indústria, até aí liderado unicamente por homens.

Em 1822, estabeleceu sociedade com Joaquim de Carvalho, mestre papeleiro, transformando os moinhos de cereal que possuía no lugar de Riomaior, em Paços de Brandão, num engenho de papel de características proto-industriais. Com uma produção condicionada ao volume das águas do rio que alimentava a roda hidráulica, e com uma mão-de-obra escassa e familiar, surgiu assim o Engenho da Lourença.

Entrado o século XX, a ausência de inovação técnica, que caracterizou toda a indústria papeleira da região, explica a decadência desta unidade papeleira, acabando por ser vendida, em 1916, a José Ferreira Pais, pelo preço total de três contos e duzentos escudos.

Com as obras entretanto realizadas pelo novo proprietário, as velhas construções de pedra e saibro, deram lugar a um novo espaço fabril, com novas áreas de secagem e nova área de produção, albergando esta uma pequena máquina contínua de forma redonda, em madeira.

Deste modo, o fabrico de papel folha a folha deu lugar ao fabrico em contínuo. Produzindo papel de embalagem, manteve-se em actividade até finais da década de oitenta, tendo sido comprada em 21 de Outubro de 1992, pela Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, com o objectivo de aqui funcionar o Museu do Papel.