edifício

O Convento dos Lóios surge por vontade do 3º Conde da Feira, D. Manuel Pereira, mas é seu filho Diogo Forjaz Pereira e sua esposa D. Ana de Meneses, que assumem o compromisso e o testemunho de devoção a S. João Evangelista.

 

Feita petição ao Capítulo Geral, são confirmadas em 3 de julho de 1550, as concessões necessárias para a fundação da Casa da Feira com todas as graças e privilégios que gozavam outras casas da Congregação dos Cónegos seculares de S. João Evangelista, Cónegos Azuis ou dos Frades Lóios. Escolhido o local para a sua implantação no sítio da Ermida dedicada ao Espírito Santo, é realizada a cerimónia de colocação da primeira pedra da Igreja em 1560, dia de S. João Evangelista e passados seis anos, os Lóios contavam já com uma igreja e um convento “capaz de ser habitado”.

Em 1580, iniciaram-se as obras da capela mor. Depois da morte do conde, a grande impulsionadora das obras foi sua neta, D. Inês de Castro que, com o apoio do rei D. Pedro II, lançou para o mesmo fim, um imposto na Comarca da Feira.

 

Em 1705 era já um conjunto conventual constituído pela Igreja a norte – ainda não terminada a torre sul, orientada de nascente a poente e pelo edifício do convento, encostado a sul. Ao centro, o claustro de forma quadrada e o chafariz ao meio.

Com as guerras liberais e as reformas implementadas, nomeadamente, o decreto liberal de 1834, em que grande parte dos bens das ordens religiosas é nacionalizada, o Convento dos Lóios foi remetido para a posse e administração da Câmara Municipal. É extinta a Congregação e a integração das suas propriedades nos bens nacionais. Dois anos depois, através da Portaria de 13 de setembro de 1836, da Repartição dos Negócios da Fazenda, o Convento dos Lóios é remetido para a posse e administração da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira, “para ali se estabelecerem as administrações Judiciais e Administrativas deste Concelho”.

 

A partir desta data, o convento inicia uma nova fase de reutilização com o estabelecimento de novas e diferentes funcionalidades. Assim, em 1836 foi estabelecido na ala sul do rés-do-chão do edifício, um teatro. Em ata da sessão de câmara de 23 de junho de 1877, refere-se intenção de se conservar esse espaço no refeitório do convento. O monarca D. Fernando II comprou oito ações do teatro e consentiu que lhe fosse atribuído o seu nome, ficando então a designar-se Teatro D. Fernando II. A sala e o palco ocupavam o antigo refeitório dos frades e de toda a ala do Sul, no rés-do-chão do claustro. Tinha por cima e à volta da plateia uma galeria, ao fundo da qual houve um camarote, onde estava o retrato do rei consorte. Durante muito tempo sucederam-se os grupos de amadores dramáticos até que, com a popularidade do animatógrafo, o teatro converteu-se em cinema. Este teatro foi desmantelado em 1938 data em que começaram as obras de ampliação do tribunal.

Em 31 de Dezembro de 1907, a cadeia passou a instalar-se no primeiro andar do ângulo norte nascente do claustro do convento, local onde permaneceu até à sua instalação na nova prisão da comarca em junho de 1944. Em 1938, iniciaram-se as obras de transformação de todo o edifício para aí funcionar o novo Tribunal. Nos anos cinquenta, o edifício estaria completamente transformado em repartições públicas, Conservatórias e Tribunal, situação esta que se prolongou até 1992.